Massarani: um “erudito” que andou entre nós por Carlos Marques - publicada em 15. 7. 2013 - atualizada 14h53 | 1 comentário Tido como profundo conhecedor de arte e erudito, Massarani, andou por Rio Claro entre 2005 e 2008. Segundo a Folha, como funcionário da Assembleia, distribuiu falsas bênçãos do papa a políticos para obter patrocínio de projetos
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Emanuel Massarani (à esq.) entrega bênção papal a Barros Munhoz, em 2009

Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Barros Munhoz (PSDB-SP) fez pose para o momento solene. O ano era 2009 e a ocasião merecia. Ele acreditava estar recebendo uma bênção do papa Bento 16, trazida do Vaticano especialmente para ele.

Talvez o deputado ainda não saiba, mas foi enganado: naquele dia, posou para o fotógrafo oficial com uma peça falsa. Ela não veio do Vaticano. Segundo funcionários da Assembleia, foi impressa numa gráfica da Alameda Jaú, em São Paulo.

Em Roma, apenas um arcebispo tem permissão para assinar pergaminhos com a bênção apostólica do papa como a que o tucano recebeu. E o arcebispo cuja assinatura aparece na bênção de Barros Munhoz, datada de 15 de março de 2009, se aposentara e fora substituído dois anos antes, em julho de 2007.

Mas o deputado não foi o único. Prefeitos e outras autoridades também receberam bênçãos falsas das mãos do mesmo homem: Emanuel von Laurenstein Massarani, um senhor de 78 anos que, com gravata borboleta e crucifixo na lapela, circula à vontade pela Assembleia paulista há pelo menos oito anos.

Filho de pai italiano e mãe alemã, Massarani tem sala, equipamentos e funcionários na Casa. Dispõe também de um carro oficial para ir ao trabalho e voltar para casa. Foi nomeado chefe da Superintendência do Patrimônio Cultural da Assembleia em 2005.

Apesar do cargo, ele não tem vínculo empregatício nem figura na lista de servidores da Casa. Seu posto é "honorífico" - lhe dá direito a regalias, mas não a salário. Oficialmente, a função de Massarani é promover exposições e organizar o acervo de arte da Assembleia. Extraoficialmente, ele usa a estrutura do Legislativo para tocar os negócios de uma organização particular que preside, o IPH (Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico). O instituto classifica projetos culturais como de "interesse nacional", ajudando a captar verbas de patrocínio que depois podem servir para abater Imposto de Renda.

Em Rio Claro

Na segunda metade dos anos 1990, Emanuel von Laurenstein Massarani andou pela cidade tomando vinhos caros em companhia de ilustres representantes da esfera política e da cultura da cidade, para quem, inclusive, teria vendido obras de arte de referências históricas.

Depois de sua passagem pelo Horto Florestal, há quem diga que várias peças que pertenciam ao Museu do Eucalipto e ao Solar do Horto deixaram de fazer parte do acervo histórico. Para aqueles que se tiveram a companhia desse ilustre senhor, cuja principal arte parece ser a boa lábia, fica a dica: chequem as paredes para saber se não compraram gato por lebre.

Com dados da Folha.

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Comentários
por Terezinha Arantes de Campos em 16/07/2013 - 10:20
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TRISTE MAIS REAL
Nossa Floresta foi alvo deste Senhor que dizem ser ilustre, não presenciei nada, mas os boatos foram muitos, e muitos mesmo quando cheguei aqui na administração do então Horto em 1999, muita coisa foi tirada do Museu do Eucalipto, uma perda grande para Rio Claro, ter vivenciado a passagem do Sr. Massarani por aqui.
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