Localizado entre uma ponte que atravessa o rio Corumbataí e o Centro de Ressocialização Masculino (CRM), o Jardim Nova Rio Claro não conta com nenhum centímetro quadrado de asfalto. O estado de espírito da dona de casa Maria Aparecida Rodrigues, 60 anos, reflete bem o que os moradores do bairro pensam do poder público. “Está chegando a época dos políticos darem as caras aqui e prometerem um monte de coisas. Desta vez não quero pegar nenhum santinho. Nunca fizeram nada pela gente”, desabafa em depoimento em vídeo.
Universitários e a reportagem do Guia Rio Claro, acompanhados pela professora e doutora Iara Nocentini André, do Departamento de Geografia da Unesp, entrevistaram moradores para conhecer melhor a realidade. A geógrafa apresentou Maria Aparecida ao grupo. Moradora a 17 anos, ela ajuda a Defesa Civil a monitorar o nível das águas do Corumbataí em época de chuva. “Quando chove forte, aqui ninguém dorme”, conta. Rencentemente, o Guia publicou matéria sobre o caos no bairro em dia chuvoso.
Maria Aparecida se recorda bem do dia 29 de janeiro de 2012, quando uma tempestade devastou a cidade deixou o Nova Rio Claro ilhado. O estrago foi tão severo que boa parte das casas ficaram sob as águas que transbordaram do rio.
Próximo à casa de Maria Aparecida, no número 27 da Rua 21, um córrego passa por dentro de um refúgio de mata nativa que circunda o bairro. Pilastras de uma antiga porteira de fazenda delimitam o perigo. “Quando a água passa da porteira é motivo para se preocupar”, relata a moradora.
Somente três anos depois do desastre de 2005 a prefeitura propôs a Maria Aparecida que deixasse sua casa para ir para uma moradia no Terra Nova. “Não aceitei por que era uma casa minúscula. Além disso, meus filhos moram pegado à minha casa e precisam de mim para olhar os meus netos. Ainda por cima, eu é que tinha que me virar para fazer a mudança”, acrescenta.
A moradora conta que comprou seu imóvel na gestão do ex-prefeito Nevoeiro Junior nos anos 1990, quando foi feito o loteamento do então bairro nascente. Depois de todos estes anos, ela ainda não tem a escritura da casa. “A única coisa que tem de bom é que não pagamos IPTU, pois seria muita cara de pau da prefeitura nos cobrar alguma coisa”.
Quanto à verba de R$ 2 milhões do governo estadual para asfaltar parte do bairro, Maria Aparecida é cética. “Isso é notícia velha. Faz tempo que existe essa história e nada acontece”, conclui.